Eu falo português. Não sou nenhum purista, que acha que tudo deve ser traduzido – “mouse” é mouse e ponto. Não é “rato”, é mouse mesmo. Mas não gosto do “aportuguesamento” das palavras, que vejo com freqüência cada vez maior. O aportuguesamento é uma coisa natural, é claro; diversas palavras que usamos no cotidiano nasceram assim: bife vem do inglês beef; chofer (do francês chauffer), e muitas outras. Mas há um certo exagero, pois muitas palavras que possuem tradução em nossa língua são “emprestadas”do inglês.
É claro que soa mais pomposo “vou te dar um feedback” que “vou te dar um retorno”, mas em muitos casos isso atrapalha a comunicação – e para que servem as palavras, se não comunicar, expressar uma idéia – preferencialmente algo claro e inteligível?
Na área da informática, vejo o tempo todo os profissionais comunicando-se dessa forma:
- ….já mandei printar….
- ….tem que setar o parâmetro….
- …upa o arquivo…
- …zipa antes de mandar…
Até aí nenhum problema, pois o pessoal da área entende isso perfeitamente. E se o pessoal não for da área?
Imagine-se conversando com um cliente:
- O senhor terá que zipar e upar o arquivo em nossa área de FTP para análise.
- Vô te que o quê? Brinca de “upa, upa, cavalinho”?!?
É normal que nós, profissionais da informática, tenhamos “nossa própria lingua”, como os profissionais de qualquer área possuem. Só não podemos esquecer que nem todo mundo sabe que refreshar a página terá o mesmo efeito de atualizá-la. E ninguém tem a obrigação de saber.
Você tem o direito de falar como quiser, mas niguém tem a obrigação de te entender!
Eu nunca setei o defou, nunca printei, nunca upei. E isso sempre facilitou o entendimento do que eu disse, tanto por profissionais da informática quanto pelos usuários mais leigos.
Eu nunca setei o defou, nunca printei, nunca upei. E nunca pareci menos esperto por causa disso.
Veja também alguns exemplos: http://rafaelrgi.wordpress.com/informatiques/
Você sabia que…
O olho do avestruz é maior do que seu cérebro?
Escrito por Rafael Rodrigues